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Planos de transição são essenciais

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

As simplificações introduzidas pelo pacote Omnibus reduziram a granularidade de alguns requisitos, mas não eliminaram a necessidade de divulgar um plano completo, credível e coerente.


Por Sofia Santos, CEO da Systemic



Num contexto de metas climáticas cada vez mais exigentes e de maior pressão por parte dos bancos para avaliarem o grau de alinhamento climático dos seus clientes, os Planos de Transição assumem hoje um papel central. Deixaram de ser um exercício reputacional para se tornarem instrumentos estratégicos, capazes de ligar a visão de longo prazo à execução diária e de traduzir compromissos em resultados mensuráveis. Para as grandes empresas, sobretudo as abrangidas pela CSRD, quando o clima é material, o ESRS E1 exige explicitar claramente como o modelo de negócio se irá alinhar com uma trajetória compatível com 1,5 °C – o que implica metas, processos e responsabilidades concretas.


As simplificações introduzidas pelo pacote Omnibus reduziram a granularidade de alguns requisitos, mas não eliminaram a necessidade de divulgar um plano completo, credível e coerente. O foco deslocou-se para aquilo que verdadeiramente importa: a trajetória de emissões, a coerência estratégica, os marcos críticos, a governação e os investimentos necessários. Para as empresas incluídas na CSRD, permanece a obrigação de apresentar o plano ou justificar, de forma robusta, o motivo da sua ausência e o calendário para a sua adoção.


A importância destes planos para os bancos é crescente. O setor financeiro precisa de compreender se os seus clientes têm capacidade de adaptação aos riscos e oportunidades da transição climática, sob pena de exposição a carteiras desalinhadas, maior risco de crédito e de reputação. A ausência de um plano fiável cria opacidade, aumenta o risco para o banco e pode traduzir-se em financiamento mais caro, menor disponibilidade de crédito ou exigências adicionais de capital, especialmente à medida que os supervisores intensificam o escrutínio prudencial.


O custo de não ter um plano de transição pode de facto existir. Aquelas empresas que, não sendo ainda verdes, não consigam demonstrar credibilidade na sua transição, podem enfrentar spreads mais elevados, fragilidade nos ratings e perda de clientes que necessitam de ter como fornecedores aqueles que mais alinhados estão com neutralidade carbónica. Por outro lado, empresas que decidem desenvolver um plano de transição conseguem converter o risco em competitividade e acesso preferencial a capital.


Para ser eficaz, um Plano de Transição deve incluir, no mínimo:

1 – Diagnóstico e materialidade: Mapeamento de impactos, riscos físicos e de transição, análise setorial, baseline de emissões e coerência com cenários 1,5°C.

2 – Trajetória de carbono e metas: Metas anuais e intermédias (2030/2040/2050), identificando alavancas de redução, prioridades e métricas.

3 – Estratégia e modelo de negócio: Alterações previstas no portefólio de produtos, cadeias de valor, inovação e investimentos necessários.

4 – Plano financeiro e investimento climático: Opex/capex, financiamento verde, necessidades de capital e integração em decisões financeiras.

5 – Integração na gestão do risco: Ligação à matriz de risco, políticas de crédito, limites setoriais, testes de stress e indicadores de alerta precoce.

6 – Governação e incentivos: Responsáveis, competências internas e alinhamento da remuneração com a execução.

7 – Monitorização, métricas e reporte: KPIs, auditoria interna/externa, avaliação periódica e coerência entre relatórios (CSRD, ESRS, relatórios financeiros e prudenciais).


Os Planos de Adaptação Climática são também fundamentais. A transição não se faz apenas reduzindo emissões. Os riscos físicos — ondas de calor, secas, cheias, disrupções na cadeia logística — estão a intensificar-se e já impactam operações, ativos e cadeias de abastecimento.


Assim, as empresas precisam de Planos de Adaptação que incluam:

– Avaliação de vulnerabilidades físicas;

– Cenários climáticos de médio e longo prazo;

– Medidas de resiliência operacional;

– Adaptação da infraestrutura e logística;

– Continuidade de negócio em eventos extremos;

– Articulação com seguros e gestão de ativos críticos.


Pensar-se que o pacote Omnibus elimina a expectativa das empresas terem um plano de transição e até mesmo um plano de adaptação, é um erro. Acima de tudo, estes planos permitem melhorar em muito a gestão do risco empresarial, proporcionando também a possibilidade das organizações transformarem o seu risco climático numa oportunidade de melhoria e de investimentos.


Noticias publicada no jornal PT Green

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